Ainda pobres... Porém frescos
Meu azeite é de oliva argentino (o que acabou era grego), o vinagre para salada é um aceto balsâmico di Modena, não pense que eles foram comprados em alguma importadora, ou em uma loja do Carrefour, Walt-Mart, Pão de Acúcar ou qualquer outra grande unidade de super(ou hiper)mercados, mas sim no Supermercado Curitiba, que provavelmente – a não ser que mora no Caiuá ou no Barigui, dois bairros da Cidade Industrial de Curitiba, onde estão as maiores indústrias e alguns do bairros mais pobres da cidade – nunca ouviu falar, para estes produtos estarem presentes num reles mercadinho de bairro, é por que tem saída. Supermercados trabalham com as mais baixas margem de lucro do comércio, e faliriam se não trabalhassem itens tão básicos como feijão, arroz e leite. No caso de supermercados de bairros, o volume não muito grande e o baixo poder aquisitivo da maioria de seus clientes, não permite muitas ousadias, o que torna fato de eu encontrar estes produtos no mercado de bairro ainda mais emblemático. Se estão lá é por que tem saída, e no caso do azeite de oliva, o espaço dedicado a ele na prateleira é igual ao de soja, bem mais barato e conhecido. Reportagem de ontem na Folha de S. Paulo, fala da queda da venda de vinhos importados, e da dificuldade, principalmente as paulinas devidos as mudanças na regras do fisco daquele estado, queda, diga-se de passem também houve ano passado, mas assim importou-se 54,7 milhões de litros de vinho (contra 26,3 em 2003), o que representou 870 milhões de dólares (que em boa parte de 2008 eram mais caros), alguns desses litros foram bebidos por este que vos fala, que por sinal enquanto escreve este post, beberica um sul africano, Lyngrove Collection Pinotage 2007, que por sinal é um dos melhores vinhos que já bebi em minha vida. Bebemos e comemos melhor, compramos mais casas, e a classe C é a maioria – por sinal esta definição é capítulo a parte, chamada pelo eufemismo de classe média baixa, nada mais que pobres remediados, que tem um renda minimamente digna, que pode ter acessos a melhores coisas – temos melhor acesso a crédito, e nos tornamos metidos, este beberemos menos e mais baratos vinhos, comeremos menos azeite de oliva, viajaremos menos, mas embarcamos no caminho sem volta, para sermos deliciosamente burgueses... ainda que pobres
“Não tenho nada, devo muito, o resto deixo aos pobres” Rabelais, na minha opinião a melhor definição de classe C

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