Mostra o seu que eu mostro meu
blog que conterá o melhor da filosofia flavística
Fala-se muito mal dos poderes executivo e legislativo, principalmente do último, mas considero o judiciário a maior fonte de injustiça deste nosso país, olha só a contradição, logo quem deveria cuidar da justiça é a que mais afasta o povo dela. Nossa justiça tarda e falha, é cara, dispendisiosa e assim como era frânces da burguesia no início do século 20, que servia para se diferenciar do povo, é o latim da corte. Eu não sou nenhum idiota, mas sinceramente não consigo entender boa parte do que se fala nas sentenças judiciais deste país. Penso, seu eu que tenho ensino superio completo não consigo entender o que fala nossos excelentíssimos juízes, o que dizer do pobre cidadão comum, da empregada doméstica que processa o patrão porque este tentou estuprá-la. Outra coisa que não deixa de me impressionar são os malabarismos verbais que se faz para justificar ricos e poderosos não irem a prisão. Vamos a um exemplo, se alguém ligar agora para a polícia dizendo que existe cocaína na minha casa, não passa por juíz decidir se há indícios para aceitar a denúncia, simplesmente a polícia sem pedir licença invade minha casa, revira toda ela, e no final o máximo se que eu recebo é "me desculpe" dependendo do humor do policial. Nosso adoráveis políticos e poderosos são salvos, não a mínima possibilidade de um deles ser sequer invstigado, é absolvição a priori, é o extrapolamento do princípio de inocência, pois você para nossos jurista é inocente e não há nem como se provar o contrário. Quem me explica a maneira como foi liberado Palocci, Daniel Dantas entre outros. Se eles são culpados, não sei, o que incomoda é que não tem nem como saber.
Sobre o caso Sean, criticam que o menino vai receber um choque voltando para lá depois de viver 5 anos no Brasil. Alguém pensou que se nossa justiça não andasse a passos de cágado simplesmente o pai, que tem direito a criá-lo pois não abondonou o filho este foi tirado dele, nós não teríamos este problema.
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos homens, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." Ruy Barbosa, é clichê, mas é tão verdadeiro
Maria Helena acordava as sete horas da manhã igual fazia todos os dias, não porque precisasse ou gostasse de acordar cedo, fazia simplesmente porque fazia aquilo há alguns anos. Preparou o café da manhã reforçado (sua principal refeição, este variava bastante, comia de chuchu a feijoada nesta refeição). Hoje ela começou fazendo uma omelete de três ovos, várias folhas de espinafre cortadinha, alguns pedacinhos de presunto, um pouco, bem pouco, de sal, um pouco de salsicha, cebolinha, e é claro, muito óleo de oliva, seu favorito. Para beber, café solúvel dissolvido direto no leite quentíssimo com um pouquinho de ovomaltine, tudo isto numa grande caneca de louça, de quase meio litro, cheia até a boca. Comeu sua refeição matinal, saiu comprou o jornal, ou melhor, os dois: Folha de São Paulo e Gazeta do Povo, voltou para casa e ficou lendo a manhã inteira. Ao meio-dia saiu, foi a um restaurante vegetariano de tempero oriental, um dos seus favoritos, apesar de gostar muito de carne de porco. Passou num empório, comprou uma garrafa de vinho chileno, encorpado e de excelente qualidade, aliás, como são quase todos os vinhos daquele país, sentou-se a mesa de um café de um amigo, comprou um dos livros que se vendia ali, e ficou a tarde inteira a ler e a beber o vinho. Ao final da tarde já tinha lido todo o livro, que era muito bom apesar de pequeno e já tinha bebido três quartos da garrafa de vinho. Pegou a garrafa que já estava arrolhada – pois cada vez que abria a garrafa era sempre o mesmo ritual, tirava a rolha, enchia a taça, e arrolhava de novo – saiu pela rua até sua casa, no caminho jogou o livro a um mendigo que dormia na calçada. Chegou a sua casa, colocou a chave na fechadura com dificuldade, pois estava um pouco tonta devido ao vinho, que por sinal colocou na geladeira, foi ao banheiro, tirou toda a roupa, sentou-se ao vaso, fez todas as suas necessidades fisiológicas, tomou um longo banho, pesou-se nua e molhada em sua balança: 68 quilos, um pouco abaixo do normal (IMC:18,8), que apesar de todas as calorias que consumia nunca engordou uma grama. Assim, nua e molhada, adormeceu seu belo e alvo corpo. Dormiu um sono sem sonhos.
Antes de mais nada, naquele dia ela pensava em se suicidar.
Acordou alegre e feliz no dia seguinte, como há muito tempo não sentia. Olhou seu belo corpo nu no espelho e agradeceu a Deus por tê-la feito assim. Colocou um vestido leve e bem curto, sem qualquer tipo de lingerie por baixo e blusa de lã curtinha por cima do vestido, e assim saiu para a rua às 8h15m, apesar de estar um pouco frio. Foi até a padaria na esquina oposta a sua casa, sentou-se ao balcão, tomou um café-com-leite, pão francês com manteiga, deu 10 reais e pediu para o padeiro ficar com o troco e saiu a passear saltitante como uma criança, apesar dos seus 32 anos. Andou, andou, horas e horas, passou por várias avenidas até chegar uma grande avenida. Ali entendeu o porquê de estar sem lingerie, queria fazer algo que nunca fizera na vida, que sempre teve vontade de fazer mas nunca teve coragem de realizar, e inconscientemente escolheu a menos perigosa e mais prazerosa de todas estas coisas. Decidiu fazer à segunda: transar com um desconhecido e não perguntar o nome.
Achou o desconhecido, que era um homem de 58 anos, mas muito charmoso, levou-a a um restaurante caro japonês, ela fez-lhe um interrogatório, foram a um motel longe da cidade e ali transaram a tarde inteira. Não vou contar como foi, pois seu que tu, belo leitor, tens uma bela imaginação, não vou insultá-lo com esta chula descrição. Só direi que ela teve três orgasmos maravilhosos e que arriscou-se muito. Transou sem camisinha.
Um mês depois descobriu que estava grávida, três meses depois descobriu que não estava com AIDS.
Nasceram três filhos lindos (quem diria que seriam trigêmeos), encontrou com o homem mais três vezes, por coincidência mesmo, pois os encontros foram em locais bem distantes da cidade onde morava.
Maria Helena pulou de pára-quedas, bang-jump, subiu montanha, nadou em mar aberto, foi ao Pólo Sul, comeu inseto na China e gostou, viajou para a Áustria para visitar o túmulo dos pais, e fez uma série de coisas que antes não tinha coragem de fazer. Mas nunca mudou de endereço.
Morreu 63 anos depois, alegre e feliz, com 12 netos. Sendo 6 gêmeos e 6 trigêmeos. Maria Helena desde aquele que acordou alegre e feliz como uma adolescente, foi realmente alegre e feliz todos os dias de sua vida e assim morreu: verdadeiramente feliz. Pelo menos ela.
Conto que faz parte de meu livro "Contos do Sótão Quente" ainda não publicado, interessados, no livro mandar e-mail para:clunkbr@yahoo.com.br
Neste domingo estive, por curto período é verdade, na parada da diversidade GLBT em Curitiba, mais conhecida como Parada Gay. Na verdade fui embora por que havia jogo de São Paulo x Corinthians pelo Campeonato Brasileiro, minha paixão futebolística, e o fato de ser jogo do clube que mais amo contra o clube que mais odeio, é difícil... Mas confesso, não consigo me sentir bem lá, não que ache que eles são superiores ou inferiores, que nojento, nada disso, simplesmente me sinto como peixe fora d’água. É como se, por exemplo, eu sendo brasileiro tivesse que viver na Tailândia, que usei como exemplo exatamente por desconhecê-la, de início irei achá-la exótica aos meus olhos ocidentais, mas é bem provável que com o tempo eu acabe me inculturando, aprendendo a língua e quem sabe até goste tanto que me case com um tailandesa, pois é, troca a Tailândia pelo mundo gay, e é assim que me sinto. Sei que isto é um defeito de minha parte, não me orgulho disso, talvez me falte este “inculturamento”. Mas muito mais importante que meu comportamento, talvez ranço da educação católica que tive, é fato de que pelo que eles lutam é justo. A coisa mais difícil na minha opinião que um governo pode fazer é beneficiar um parte da população sem prejudicar outra. Vamos dar exemplo de um lei boa, um reforma tributária, onde quem tem mais paga (contrário do que acontece hoje), pois bem a lei é justíssima, mas irar causar um prejuízo, anódico mas ainda assim prejuízo, que é do de tornar os ricos um pouco menos ricos. Ao estender todos os direitos que hoje só os heterossexuais tem – tais como: casamento civil, herança, adoção de menores, entre outros – para homossexuais não muda em absolutamente nada a vida dos héteros. Isto que eu chamo de lei perfeita, leis deste tipo deveriam ser aprovados sem pestanejar, num congresso que leis são aprovados ao ritmo de “em discussão, não havendo quem queira discutir aqueles que aprovam continuem como se encontram, aprovado” detalhe, a vírgula tem o mesmo tamanho que normalmente se dá para ela, ou seja, quase nada. Este congresso não aprova um tipo de lei como esta, aliás, este é o princípio da democracia, não precisamos concordar com a vida do outro, só deixe ele ser o que ele quiser. Realmente preciso me inculturar mais.
“Nós não somos senão mentira, duplicidade, contradição e escondemo-nos, e disfarçamo-nos a nós mesmos” Blaise Pascal