É tudo brima!!!!!
Em plena era dos desejos comerciais, estou me revelando um pão-duro, antes de eu trabalhar eu tinha a desculpa que era desempregado para não consumir, mas agora? Realmente não gosto de comprar, as pessoas, incluindo os homens que não assumem mas são, parecem ser consumistas por natureza, é como se tivesse no nosso DNA comprarmos, tal o prazer que isto causa, uma ida ao shopping faz milagres, é muito mais eficiente que um analista, quando compram os humanos são felizes. Eu já para fazer compras tenho que me preparar psicologicamente para isto, tenho que levantar de muito bom humor e se tiver um empecilho no caminho que seja, desisto da compra, já cancelei uma compra na hora de assinar simplesmente porque tinha que esperar 15 minutos para destravar o cartão, a burocracia do Banco do Brasil me salvou do pecado da compra, ta certo que 2 dias depois comprei o mesmo produto, um relógio de pulso, mas há 20 reais a menos. Em plena era do dinheiro de plástico relutei até o último para ter um, e só o fiz porque a única coisa que tenho prazer em comprar, livro, é mais barato na internet, que vende a cartão. Já tive celular e me livrei dele porque me irritava profundamente, sem contar que por não usa-lo, volta e meia a operadora me roubava: 3 centavos, 2... Nos últimos 4 anos ele é da minha irmã, eu sei que um dia serei obrigado a ter, pois tenho plena consciência que o telefone fixo tem dias contados, mas enquanto poder resistir a este briquedinho não vou compra-lo
Mas onde quero chegar a tudo isto? Acaso sou contra tecnologia? É óbvio que não, desde que ela beneficie a vida das pessoas, como no caso da saúde, só não sou um tecnofílico, acho que devemos comparar o que é necessário e o que é importante e só, não devemos transformar nossas compras numa bengala existencial, para preencher o nada que virou nossas vidas. Cada vez mais esquecemos o nosso ser, deixamos de ver o que as pessoas são, para ver o que elas tem. Compra-se uma camisa que tem apenas um símbolo de uma marca qualquer, seja ela qual for, e a compra de um símbolo, uma propaganda financiada, que diz tenho dinheiro portanto sou o tal, não importa que para ter um camiseta de marca, um carro do ano, e um celular de última geração eu precise trabalhar em dois empregos, virar escravo, e ter um infarte aos 40 anos por estresse. É isto que é vida? E se trabalhássemos menos e vivêssemos mais, e se relegássemos o dinheiro àquilo que ele é, um meio, e não trata-lo como fim último e soberano de nossas vidas? Tschüss Auf windeseher, já escrevi bastante.
“O primeiro efeito de um excessivo amor pela riqueza é a perda da própria personalidade. Quanto menos se ama as coisas, mas se é pessoa” Vitaliano Brancati



