FLAVIO O SAPIENTE

blog que conterá o melhor da filosofia flavística

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Divagar com a h1n1!!!!

Passado epidemia acho que tenho distanciamento suficiente para falar da paranóia que tomou conta da cidade em razão desta gripe que mata menos que a outra, segundo dados recentes do Ministério da Saúde foram um total de 10 mil infectados, com menos de 600 mortes, pode parecer muito mas isto é aproximadamente o número de mortes no trânsito somente no feriadão de 7 de setembro, mas que valha a paranóia de que não se está divulgando todas a mortes que ocorreram, e que apenas 1% das mortes tenham sido divulgadas ainda assim a proporção de mortes seria de 1 morte para cada 3600 pessoas, ou seja mesmo aumentando por 100 os números oficiais, ainda assim morre proporcionalmente mais crianças antes de um ano de vida do que de gripe. Acidente de trânsito, diarréia, doenças do coração, poluição atmosférica, cocaína, suicídio, qualquer uma destas causas mata mais que a gripe nova. A diferença que nenhum destas doenças causou tantos prejuízos com tanto fechamento de comércio, destruição do meu calendário escolar que fará que minhas aulas terminem somente 15 de janeiro, e que minha faculdade não tenha papel higiênico, mas tenha álcool gel. Aliás, você sabia que Tamiflu pode causar distúrbios neurológicos? Que é proibido no Japão? E para crianças nos Estados Unidos? Que o laboratório criador do oseltamivir (componente ativo do Tamiflu) que até hoje, devido ao contrato que fez com a Roche ainda recebe royaltes por sua invenção tem como principal acionista Donald Ramsfeld, o polêmico Secretário do Bush filho responsável pela falácia da guerra do Iraque, pois é para quem era responsável pela segurança de um governo especialista em contar mentiras para botar medo nas pessoas, é bem típico. Se ninguém tivesse dado bola, esta h1n1 seria apenas mais um vírus que surgiu como aliás surgem todos os anos, estaria vacina sazonal do ano que vem, sem maiores problemas. Mas ainda assim foi divulgada, mas por que será?
"O dinheiro não tem cheiro, mas a partir de um milhão começa-se a senti-lo" Donald Ramsfeld

Por favor salvem a democracia

Posso estar paranóico, mas sinto cada vez mais ameaçada um dos bens mais necessários a humanidade, a liberdade. Parece que estão crescendo aquilo que fez com que surgissem nos século 20 os regimes de ditadura: desprezo geral pela democracia, falta de esperança com a classe dominante, aumento da intolerância com o que é diferente, medo. Nesta recente crise do Senado, cada vez mais tenho ouvido gente defendendo a extinção daquela casa por suposta falta de representatividade. Pois aceitemos o fim do Senado, logo surgirão ao sol as mazelas da Cãmara de Deputados e com isto o fim do Poder Legislativo, e teremos assim um PresImperador, alguém que tem poderes de fazer o que quiser sem ninguém interferir, instaura-se a ditadura. Mas grave que estes são aqueles que defendem o voto nulo, ou simplesmente não pensam nisto, e esta letargia deste do povo brasileiro me incomoda, não protestamos, não nos informamos, simplesmente damos como fato final que na política ninguém presta e não fazemos nada para mudar isto. Temos medo tudo, das doenças do câncer, da violência urbana. Um dia num Terminal de Ônibus aqui de Curitiba, puxei assunto com um homem que estava ao meu lado, aliás como sempre faço, quando reclamei das pessoas que mesmo tendo recolhimento quase diário de lixo orgânico, e com catadores de matérias recicláveis passando toda hora em frente de casa, ainda assim acham de jogar lixo no rio, algo que afeta diretamente pois moro de frente para um. A minha reclamação de cunho ecológico o homem respondeu com a seguinte pérola:“devia existir no Brasil um regime de excessão, para colocar todo mundo num pelotão de fuzilamento...” já vi gente defendendo o mesmo para homossexuais e pessoas que houve som muito alto. Tudo bem que incomoda muito que não respeita o próximo obrigado-o a ouvir música ruim em alturas estratosféricas, ou jogando lixo no rio. E quanto a homossexualismo, o que temos a ver com o que cada um faz na intimidade! Confesso que a mim muito me agradou a lei antifumo paulista, posteriormente copiada aqui, mas me dá medo as conseqüências delas, hoje são os fumantes, amanhã será quem, quem come gordura saturada.
"As mulheres estão descobrindo que mulher é bom, coisas que os homens sabem há séculos" Chivo Anysio

Marina Silva para Presidente !!!!

Fala mansa e leve, do tipo que a gente sempre entende, roupas extremamente simples, rosto quase sem maquiagem, e pele da cor da miscigenação que tanto bem fez a este país. O lançamento da possível candidatura de Marina Silva para presidente do Brasil me fez ter novamente algo que insisto em cultivar, esperança na política desta amada e maltratada terra que vim a nascer (hum, frase truncada, não, mas tudo bem sai como ficou). Ela representa um oxigenada na falsa dualidade PT PSDB, que tem marcado a política de 1994, falsa ambos são do mesmo balaio, uma pretensa social-democracia que transformou-se numa completa fisiologia, atrelada ao sempre problemático e nada confiável PMDB. É hipocrisia que não trouxe benefícios ao povo, como mostra o post anterior, mas é bem verdade que junto com avanços veio na rabeira uma série de escândalos e um eterno frustração de quem sabe que o reais problemas deste país não foram atacados. Mas apensar do inegável progresso econômico, precisamos ter um novo tipos de sociedade, que seja sustentável que garanta não o futuro da próxima geração, mas da nossa mesmo pois os efeitos da degradação ambiental já são bem visíveis, e a cada ano serão piores, e aí entra Marina. Ela não é um ecochata, uma aventureira, pelo contrário, sua atuação, tanto no Senado quanto nos 5 anos e meio que foi ministra do Meio Ambiente, mostra que é possível, e muito mais que isto necessário, casar preservação ambiental a desenvolvimento econômico. Quando o governo tenta empurrar a fórceps a construção de uma estrada de asfalto ligado Rio Branco a Manaus, cortanto uma das partes mais preservadas da Amazônia, integração que poderia ser resolvida com uma menos invasiva ferrovia, com custo de transporte bem menor e mais eficiente, mas que não interessa pois demora e mais caro para fazer, apesar de ser muito muuuuuuuuuuuito melhor e menos destruidora, temos uma proposta realmente nova, e não um “mais do mesmo” que foi ao governo de Lula. Ela vai ser eleita, duvido, mas não custa sonhar, pois talvez seja que nos resta além corte de pulsos e a estricnina.
“Não me envergonho, como estas pessoas, de confessar que ignoro aquilo que ignoro” Michel Eyquem de Montaigne

Ainda pobres... Porém frescos

Meu azeite é de oliva argentino (o que acabou era grego), o vinagre para salada é um aceto balsâmico di Modena, não pense que eles foram comprados em alguma importadora, ou em uma loja do Carrefour, Walt-Mart, Pão de Acúcar ou qualquer outra grande unidade de super(ou hiper)mercados, mas sim no Supermercado Curitiba, que provavelmente – a não ser que mora no Caiuá ou no Barigui, dois bairros da Cidade Industrial de Curitiba, onde estão as maiores indústrias e alguns do bairros mais pobres da cidade – nunca ouviu falar, para estes produtos estarem presentes num reles mercadinho de bairro, é por que tem saída. Supermercados trabalham com as mais baixas margem de lucro do comércio, e faliriam se não trabalhassem itens tão básicos como feijão, arroz e leite. No caso de supermercados de bairros, o volume não muito grande e o baixo poder aquisitivo da maioria de seus clientes, não permite muitas ousadias, o que torna fato de eu encontrar estes produtos no mercado de bairro ainda mais emblemático. Se estão lá é por que tem saída, e no caso do azeite de oliva, o espaço dedicado a ele na prateleira é igual ao de soja, bem mais barato e conhecido. Reportagem de ontem na Folha de S. Paulo, fala da queda da venda de vinhos importados, e da dificuldade, principalmente as paulinas devidos as mudanças na regras do fisco daquele estado, queda, diga-se de passem também houve ano passado, mas assim importou-se 54,7 milhões de litros de vinho (contra 26,3 em 2003), o que representou 870 milhões de dólares (que em boa parte de 2008 eram mais caros), alguns desses litros foram bebidos por este que vos fala, que por sinal enquanto escreve este post, beberica um sul africano, Lyngrove Collection Pinotage 2007, que por sinal é um dos melhores vinhos que já bebi em minha vida. Bebemos e comemos melhor, compramos mais casas, e a classe C é a maioria – por sinal esta definição é capítulo a parte, chamada pelo eufemismo de classe média baixa, nada mais que pobres remediados, que tem um renda minimamente digna, que pode ter acessos a melhores coisas – temos melhor acesso a crédito, e nos tornamos metidos, este beberemos menos e mais baratos vinhos, comeremos menos azeite de oliva, viajaremos menos, mas embarcamos no caminho sem volta, para sermos deliciosamente burgueses... ainda que pobres
“Não tenho nada, devo muito, o resto deixo aos pobres” Rabelais, na minha opinião a melhor definição de classe C