FLAVIO O SAPIENTE

blog que conterá o melhor da filosofia flavística

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

LUTO

Este domingo fui do céu ao inferno em poucas horas, acordei com minha feliz da vida com filhotes de pardal que nasceram no meu pé de limão. O pardal é um muito comum aqui em Curitiba, com costas cinza-amarronzado, peito em tom mais claro e barriga laranja, ficamos um bom tempo admirando a maneira como o casal de sabiás cuidavam dos filhotes que seguia a mesma regra, um sai para buscar alimento enquanto outro fica cuidando e vice-versa. Um sábado antes eu e meu cunhado nos matávamos dar risada com um casal de quero-queros que atacavam uma ave de rapina – um gavião se não me engano – que era bem maior do que eles. O resto do segui-se normal, li o jornal, almocei, comecei assistir a corrida pois gosto de Fórmula 1, torcendo pelo Rubinho, mas sempre com um pé a atrás, pois depois de 16 anos de frustração não como negar que ele é apenas um piloto medíocre e para piorar corinthiano, mas ainda assim, como é brasileiro, mesmo sem muito entusiasmo torci. Mas eis que o Barrichelo entra para o pit stop e meu telefone toca, passo para minha mãe que tinha acabado de entrar no banheiro para tomar banho pois iria sair para visitar seu irmão. Rubens Barrichelo nem tinha completado uma volta em Interlagos e minha mãe abre a porta do banheiro chorando dizendo que meu primo de 20 anos tinha morrido. A causa mortis é uma daquelas doenças cruéis que ninguém explica e que sempre trai. A família dele – apesar de tratá-lo como primo não somo parentes de sangue – por parte de pai, tem uma doença genética que faz com que órgãos do corpo inchem aparentemente aleatoriamente, a doença afeta todos os todos os membros do sexo masculino e parte das mulheres, o causou a morte do meu primo foi que inchou a garganta o trancou a respiração, quando o SAMU chegou meu primo já estava roxo e morto, segundo meus primos ele também teve um ataque cardíaco, provavelmente causado pela combinação de falta oxigênio, acesso de adrenalina pela nervosismo da falta ar e esforço em vão para chegar em casa, pois meu primo morreu na rua. Não que a doença agisse tão rápido, meu primo já tinha acordado com dor de garganta, mas como ele tinha que ir trabalhar, ele resolveu não ir ao médico pois se levasse atestado perderia a cesta básica mensal, exemplo de assédio moral, trabalhou de manhã, foi para casa almoçar – a empresa fica a menos de 50 metros da casa – voltou, no meio do caminho caiu no chão, provavelmente já tinha mudado a direção de volta a casa, pois morreu em direção a ela. Continuado minha passagem de domingo, desliguei a TV e fomos nós para Araucária, onde morava. O que se passou foi incrível, para efeito de comparação, cerca de um semana atrás foi morto um rapaz mais ou menos da mesma idade por acerto de contas do tráfico, no seu velório só tinha a mãe e os moradores da casa onde foi velado, estes visivelmente incomodados em ter que fazer aquilo. No do meu primo digo sem exagero, passou pelo menos 200, num projeção para baixo. Todas completamente tristes. Os pais dele são meus padrinhos de crisma – apesar de não freqüentar igreja alguma, fui criado como católico – e sempre uso minha madrinha como exemplo para quando vejo pessoas arrogantes com fato de ter um diploma superior ou por estar numa posição financeira confortável, se acham melhores e mais inteligentes que os outros, a estes sempre digo: “uma das pessoas que mais admiro na vida me chama Frávio”. Ele é analfabeta e com muita dificuldade consegue escrever o próprio nome, meu padrinho completou o antigo primário e meu primos apenas fizeram ensino médio, mas são pessoas fantásticas, do tipo que não se vê mais, sempre foram muito pobres, quando chegaram a Curitiba moraram na minha casa por não ter onde ir, moraram no Sabará, favela da CIC, forma para o norte do Paraná, Inajá, para trabalhar na colheita de cana, voltaram e nunca antes estavam tão bem. Pela primeira vez todos estavam empregados, minha madrinha pela primeira vez conseguiu um emprego registrado, meus primos tiveram cada um filho lindo, este que morreu tinha um menina linda de 1 ano e meio, e um detalhe. Para quem é de classe média ou tem um diploma superior, mil reais é nada, mas para quem criou 3 filhos só com salário mínimo, ganhar isto e ver os 4 filhos ganhando isto era felicidade demais. Mas como para pobres... No enterro foi triste ver o avó de meu primo, “o vô grandão como é chamado pelos bisnetos”, um senhor de 79 anos, falar: “Eu três vezes a idade de meu neto, ele foi, e eu continuo vivo”, um sobrinho de 4 anos, “o tio não vai mais acordar?” e os adultos todos chorando não souberam responder. Acho que por isto que temos necessidade de acreditar num céu, pois é duro suportar estas injustiças, como um pessoa honesta, trabalhadora, cheia de sonhos – queria cursar um universidade – pai de um menina linda, morrer de maneira tão estúpida, enquanto tantos... melhor nem falar. Minha madrinha é um das pessoas mais alegres que conheço, é raro não vela dando fartas gargalhadas, talvez não tenha mais aquela alegria. Minha esperança é que a fé inabalável de toda a família todos católicos fervorosos os ajude, por isto admiro aqueles que te fé. “Se vier me vistar, por exemplo, as quatro horas, pelo menos desde as três serei feliz” Antoine de Saint-Exupéry, autor do Pequeno Príncipe

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

DENÚNCIA: Não usem internet 3G

Não façam como eu de ser idiota de acreditar na propagandas da famosa internet móvel, “o famoso 3G”, fiz o plano da TIM, caia muito e quase o tempo todo conectava com velocidade abaixo do 50 Kbps, ou seja, era pior que discada. Mandei cancelar, não vou usar um serviço que não funciona. Como o plano incluía multa caso eu cancelasse o serviço com menos de 12 meses, fui até o Procon. Vamos a trechos da resposta da Tim:
“A área onde reside o cliente é coberta pela TIM” – novidade, se não fosse não teria pedido – “de acordo com cláusula 8.9 do termo de compromisso do SMP” – sei lá o que SMP, mas só sei que não recebi cópia disso, aliás de contrato nenhum – “as áreas atendidas pelo sistema de comunicação móvel não estão isentas a área de sombra, onde o sinal pode variar” – ou seja a culpa é minha por não saber que a minha casa é área de sombra, como se eu fosse obrigado a saber disso a priori, como sou, como a maioria das pessoas, leigo em relação a essas coisas, pensei, aqui pega celular TIM, pega internet, perguntei umas 5 vezes para vendedora, “todo lugar que pega celular pega a internet?” Siiiiiiiiiiiiim. Pois é até a vendedora estava errada. “Vale dizer que a multa cobrada quando há cancelamento do contrato antes do prazo estipulado é devida, pois o consumidor recebeu desconto ao adquirir o aparelho” – detalhe se não for para o 3G, prá que diabos eu iria querer um munimodem? E eu juro que tentei devolver o aparelho, eles que não quiserem receber de volta – “Informamos que não há regulamentação que faça a operadora ressarcir o cliente nestes caso” – ressarcimento? Eu não pedi ressarcimento, só não quero pagar multa. É claro que vou concorrer, tentarei conversar com os advogados – leia-se raça do caramunhão – é óbvio que eles não vão aceitar o que pedi, e vou recorrer no Juízado Especial Cível, espero que lá consiga a isenção da multa, mas não me surpreenderia se não me desses ganho de causa. Fala-se muito mal do dos poderes Executivo e Legislativo neste país, principalmente o segundo, mas está no Judiciário a maior fonte de injustiças: cara e ineficiente, ou seja, ela tarda e falha. O Senhor Ministro do Supremo Tribunal Federal, Sua Excelência Gilmar Mendes representa para mim o que há de pior, cheio de certezas e preconceitos e sempre com criativos na verborragia para justificar o injustificável, como no caso do Antônio Palocci. Qualquer cidadão comum para ter aberto um processo penal, basta um denúncia anônima, e apesar de concordar com o princípio constitucional de que “todos são inocentes até prova em contrário” concordo que não pode ser diferente, pois é necessário que se esclareça os fatos; mas mesmo com indício fortíssimos contra Palocci, não foi aceito o processo penal, ou seja, “todos nós somo iguais perante a lei”, mas se você é um zé ninguém como este que vos fala, você é menos igual que o poderoso. Antes de terminar o parágrafo, um nota, não usei toda aqueles títulos por que gosto do Sr. Min. do STF, mas porque tenho medo de ainda ser processado se não usar, vai saber
Mas passarei pelo mesmo processo, pois quando a gente comete um erro, para não nos satisfazermos e para provar para nós mesmos que para sermos burros só nos falta penas, temos que cometer o erro de novo. Contratei a internet da Claro, pois conseguiu ser pior que a da TIM, a primeira conectava mais lento que a discada, a da claro simplesmente nunca funcionou. E começara minha via de novo. Eu sempre falei que o mundo seria um lugar perfeito se não precisássemos nem de bancos, nem advogados, mas incluo aí empresas de telefonia. Mas ainda bem que existe as crianças, quando saí de casa vi 3 meninas, que deviam ter no máximo 6 anos, apostando corrida numa quadra de areia próxima a minha casa, elas riam as gargalhadas durante toda corrida, e mesmo a que chegou por último nenhum momento deixou de rir. Há se não fosse as crianças...
"Vinde a mim os pequeninos, pois deles é o Reino de Deus" Marcos X, 4

domingo, 4 de outubro de 2009

Inculturar

Neste domingo estive, por curto período é verdade, na parada da diversidade GLBT em Curitiba, mais conhecida como Parada Gay. Na verdade fui embora por que havia jogo de São Paulo x Corinthians pelo Campeonato Brasileiro, minha paixão futebolística, e o fato de ser jogo do clube que mais amo contra o clube que mais odeio, é difícil... Mas confesso, não consigo me sentir bem lá, não que ache que eles são superiores ou inferiores, que nojento, nada disso, simplesmente me sinto como peixe fora d’água. É como se, por exemplo, eu sendo brasileiro tivesse que viver na Tailândia, que usei como exemplo exatamente por desconhecê-la, de início irei achá-la exótica aos meus olhos ocidentais, mas é bem provável que com o tempo eu acabe me inculturando, aprendendo a língua e quem sabe até goste tanto que me case com um tailandesa, pois é, troca a Tailândia pelo mundo gay, e é assim que me sinto. Sei que isto é um defeito de minha parte, não me orgulho disso, talvez me falte este “inculturamento”. Mas muito mais importante que meu comportamento, talvez ranço da educação católica que tive, é fato de que pelo que eles lutam é justo. A coisa mais difícil na minha opinião que um governo pode fazer é beneficiar um parte da população sem prejudicar outra. Vamos dar exemplo de um lei boa, um reforma tributária, onde quem tem mais paga (contrário do que acontece hoje), pois bem a lei é justíssima, mas irar causar um prejuízo, anódico mas ainda assim prejuízo, que é do de tornar os ricos um pouco menos ricos. Ao estender todos os direitos que hoje só os heterossexuais tem – tais como: casamento civil, herança, adoção de menores, entre outros – para homossexuais não muda em absolutamente nada a vida dos héteros. Isto que eu chamo de lei perfeita, leis deste tipo deveriam ser aprovados sem pestanejar, num congresso que leis são aprovados ao ritmo de “em discussão, não havendo quem queira discutir aqueles que aprovam continuem como se encontram, aprovado” detalhe, a vírgula tem o mesmo tamanho que normalmente se dá para ela, ou seja, quase nada. Este congresso não aprova um tipo de lei como esta, aliás, este é o princípio da democracia, não precisamos concordar com a vida do outro, só deixe ele ser o que ele quiser. Realmente preciso me inculturar mais.

“Nós não somos senão mentira, duplicidade, contradição e escondemo-nos, e disfarçamo-nos a nós mesmos” Blaise Pascal